Polícia Federal conclui inquérito da 2ª fase da Operação Preludio e indicia mais 10 envolvidos

Polícia Federal conclui inquérito da 2ª fase da Operação Preludio e indicia mais 10 envolvidos

A Delegacia da Polícia Federal em São Sebastião concluiu o inquérito da 2ª fase da Operação Prelúdio, que investiga fraude à licitações, corrupção e lavagem de dinheiro na Prefeita de Ilhabela. A informação foi obtida cm exclusividade pela reportagem da Tribuna do Povo.

O ex-prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório, após prestar depoimento na Polícia Federal de São Sebastião, no dia 14 de maio de 2019. Foto: Reginaldo Pupo


Segundo uma fonte, o inquérito foi encaminhado à Justiça. Nele, 10 pessoas foram indiciadas, sendo um ex-prefeito, quatro ex-secretários municipais, dois servidores públicos, dois advogados e um empresário. 

Dentre as acusações estão os crimes de Lavagem de Dinheiro, Corrupção Passiva, Fraude a Licitação, Organização Criminosa, Falsidade Ideológica e “Caixa 2”, uma vez que parte do dinheiro da corrupção teria financiado a campanha que elegeu o prefeito cassado Márcio Tenório e a atual prefeita Gracinha.

Na primeira fase das investigações da Operação Prelúdio II, que investiga diversos crimes na Prefeitura de Ilhabela, a Polícia Federal já havia indiciado os empresários Adriano Pereira (Volp) e Tatiana Negreiros, além do policial militar Rogério Faco. 

O trio chegou a ser preso, mas após um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público, o empresário Adriano Pereira deixou a Penitenciária II de Tremembé. De acordo com o processo 0000177.72.2018.8.26.0247 — que corre em segredo de justiça — o empresário aceitou um acordo de “Delação Premiada” proposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. 

Segundo apuramos, o réu — envolvido num esquema de desvios de recursos públicos durante o governo do ex-prefeito Márcio Tenório — teria dado subsídios suficientes para que Ministério Público desse sequência no processo que busca apurar e punir todos os envolvidos.

Ainda de acordo com uma fonte, a Polícia Federal continua as investigações e o inquérito já conta com pelo menos quatro desdobramentos. Informações colhidas em telefones celulares apreendidos de investigados são reveladores. Segundo consta, outros crimes foram praticados por agentes políticos, o que está sendo apurado pela PF.

Na semana passada, uma testemunha foi intimada a prestar depoimento na sede da Polícia Federal em São Sebastião. Ele teria confirmado parte do esquema que — supostamente — teria sido feito para arrecadar recursos de um empresário. “O delegado tem tudo lá… ele sabe de tudo…”, revelou a testemunha à nossa reportagem. Ele prefere não ser identificado por medo de represálias, mas afirmou que a Polícia Federal teria conseguido acessar informações do WhatsApp de uma das investigadas e que o teor seria “impressionante”.

De acordo com um relatório da Polícia Federal, que consta nos autos do processo, as investigações que culminaram na prisão de Adriano Pereira, Tatiana Negreiro e do policial militar Rogério Ferreira Faco, tiveram início no começo de 2017, após denuncia do ex-prefeito de Ilhabela, Antonio Colucci, numa emissora de rádio em Caraguatatuba.

Na ocasião, o Ministério Público também pediu a prisão do então prefeito Márcio Tenório, o que foi negado pela Justiça, uma vez que o mesmo possuía foro privilegiado. No entanto, o TJ/SP acabou determinando o afastamento de Tenório do cargo de prefeito, assim como dois secretários municipais e três servidores públicos.

Investigação

As investigações se concentraram na contratação emergencial da empresa Negreiros para a realização dos processamentos de resíduos de podas e folhas e da construção civil pelo valor de R$ 16.496.400,00, por um período de seis meses. Isso ocorreu após a empresa anterior rescindir de forma amigável o contrato anterior de R$ 5.362.912,88, valor corrigido, por um ano.

Na época, o delegado federal, Dr. Carlos Roberto de Almeida afirmou que houve indícios de fraude de licitação, superfaturamento e pagamento de propina, inclusive com a participação do ex-prefeito.

“As investigações indicam que o empresário financiou clandestinamente a campanha de eleição do atual prefeito e, em troca, recebeu um contrato superfaturado como pagamento e também com lucro razoável”, afirmou o delegado.

A Polícia Federal estima que cerca de R$ 9 milhões foram desviados da Prefeitura de Ilhabela durante contrato superfaturado.

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